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18 de abril de 2014

Olá, como vai?


  Olá olá, como vão vocês seres purpurinosos da Terra? Eu vim aqui hoje, sem propósito nenhum. Sim! Isso mesmo, mas por quê? Eu sinto que perdi aquela intimidade gostosa que tinha com os meus leitores há uns aninhos e realmente era uma coisa que eu prezava por demais. Então eu vim hoje aqui, somente postar um dos meus inúmeros textos de uma época meio cabulosa da vida, é um post completamente inútil e (novamente eu repito por que sou muito chata, yehet) sem propósito. Preparem os lencinhos desiludidos apaixonados de plantão, sinto que vou quebrar o coração de pelo menos uma ou duas pessoas por essa vasta internet ㅋㅋㅋ~


  Como você anda? Eu gostaria de perguntar-lhe pessoalmente, e ouvir cada detalhe do seu dia-a-dia, por mais que tenha sido tedioso. Importar-me eu não iria, se comigo você dividisse todas suas lamúrias e tristezas. Mas já não posso mais, não é?
  Passando pela calçada cimentada, velha e suja, com alguns buracos pelo caminho, tropeçando no vento, olhando para o chão e contando as faixas desenhadas ali, eu olho para os lugares e sinto os aromas, eles são todos iguais aos de dez anos atrás, você já parou para notar isso alguma vez?
  A paisagem da velha oficina, da calçada desgastada, o cheiro de pão fresco que provém da padaria da rua, a casa grande que fica em frente e o morro onde é a escolinha.
  Você lembra, dos dias em que passou ao lado de outras crianças? Chorona e alta, você era, e a tia daquele lugar vez ou outra tinha de ralhar com você. Você lembra?
  E as pedras do caminho largo do portão de ferro branco descascado, aquele que leva até uma casa que, hoje, é amarela, e que ontem foi branca. Janelas de mogno tornaram-se janelas de pinho, tingidas de branco, sim, sempre branco. Você lembra?
  Como era sua casa há dez anos? Eu me lembro; me lembro porque nas noites em que madrugava ao seu lado, trocando sorrisos e conversa fora, eu tinha medo de ir ao banheiro sozinha, você lembra?
  E sempre, o que dizia-me? “Isso eu não posso fazer por você” Com um sorriso debochado me empurrava porta a fora, e me jogava pelo corredor escuro que levar me ia até aquela porta marrom e feia que dava para o seu banheiro cinza. Você lembra? Dizia-me ser bobo ter medo, mas ouvir te podia do lado de fora daquela porta grossa, suas passadas apressadas de volta para o quarto assim que ouvia o barulho da torneira sendo aberta.
  As correntes de ferro que iam da calha ao chão, elas ainda estão lá? Sua mãe costumava cozinhar um ótimo prato, eu lembro-me perfeitamente do sabor especial que o pão quente dela tinha. Ele continua assim?
  Você continua lendo aquele livro? Aquele que por ventura não pode devolver à biblioteca, encapado de plástico verde, sobre três anjos arteiros que deixavam uma doce velhinha louca. Foi lá, onde eu aprendi a palavra ralhar. Foi você quem me explicou.
  Continua escrevendo um diário? Numerando suas páginas? Fazendo questionários bobos sem objetivo no fim do seu caderno?
  Eu conhecia alguém, que tinha um nome bonito. Um apelido infantil, mas que ela não ligava. Uma pessoa que passou a usar óculos azuis com dez anos de idade. Azul era sua cor favorita. Ela ainda é?
  Toda vez que por algum motivo, eu sou obrigada a passar pela velha calçada cimentada, cheia de buracos, quem sabe por que eu deva ir à padaria ou porque eu tenha de comprar um pneu novo para certa bicicleta rosa, eu olho para uma casa amarela de janelas brancas, uma casa de correntes que vão da calha ao chão, que contém pedras largas em seu caminho e um canteiro de cacto no qual eu caí um dia.

  Os cactos não jazem mais naquele canto. A padaria foi vendida, a oficina foi fechada, um restaurante foi aberto na grande casa da rua.

  E você, continua se perguntando como anda o nosso lar? Um lago sujo envolto por meia terra infestada por mato, árvores e pedras, onde crescem dezenas de girinos e uma construção abandonada.
  O lago secou, há um morro enorme entre o nosso país das maravilhas e a terra seca que está lá agora. Assim como eu, minha cara.
  O que antes foi uma doce criança que se emburrava quando chamada de pequena, o que um dia foi um lago onde nasciam girinos e onde brotavam flores brancas agora é a terra seca que você vê naquele lugar.

  Você não lembra.

  Toda vez que passo por uma casa que eu não conheço mais, eu olho em sua direção, com a mísera esperança medíocre de que você esteja acenando em minha direção, encarando-me com seus orbes escuros e seu sorriso torto e debochado, esperando-me para no fim do dia sussurrar perto de mim um “até o próximo sábado”.
  A única coisa que eu encontrei lá hoje foi um garoto e você, sentados em um gramado fosco, perto do lugar onde haviam pedras brancas e cactos grandes.

  Eu te conhecia.

  Não mais.

  Eu poderia fazer você lembrar-se de milhares de situações, desventuras, brincadeiras, balas, comidas e segredos que compartilhamos, mas acredito que isso tomaria muito do tempo de seu novo você.
  Eu sei que andam dizendo por aí, nessa cidade pequena, que a jovem primogênita da família de sangue azul desse lugar infestado de loucos é alguém triste, alguém rude e nada belo por dentro e por fora.
  Há dez anos, eu choraria no seu ombro, repetindo inúmeras vezes palavras de conforto para mim mesma, enquanto você somente acaricia meus cabelos curtos e amarrados em um elástico que sua mãe fez.

  Mas eu não me importo.

  Você me conhecia tão bem quanto eu conhecia você, como a palma da minha mão ou um código hex que você lê.

  Mas não mais.


YESU!!!1onze! O textinho é no pov de uma lésbicazinha com uma paixão platônica pela melhor amiguinha de infância com quem ela não fala mais. Agora tirem suas próprias conclusões -u-u-u-u-u-

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